Verde-fá

Fogo fátuo, ou "fogo fá" como dizia Guimarães Rosa e também Boi tatá, conhecido na cultura popular brasileira como um fenômeno que tem decorrência na combustão orgânica gerada na natureza por algum animal ou organismo que se decompôs gerando uma luminosidade, uma pequena chama volátil azulada ou esverdeada. Muitos achavam alí também uma aparição de Nossa Sra Aparecida. 
O que é orgânico e se decompõe em eterno ciclo retornando ao seu ambiente natural trazendo um significado de resistência é uma poética que adoto nessa minha pesquisa ainda embrionária. As xilogravuras carregam em sua própria essência na matriz de madeira o nevrálgico das veredas da memória com que vou me deparando e reconstruíndo em novos passos. As pinturas vão em uma fenomenologia oposta, mais visceral, onde o gestual, o ímpeto de uma pintura substancial busca o momento fugidio do instante volátil. Esses trabalhos em pintura são realizados na maioria das vezes em "plein air" na busca por uma experiência artística sensorial onde há na absorção da atmosfera do lugar a realização de uma pintura de pertinência experimental. Não há retoques posteriores em um trabalho de pintura cuja intenção foi o registro de um momento transitório, volátil tal qual era o fogo que os sertanejos observavam encantados durante à noite e em um sopro de instante imaginavam mil coisas.